Fórum da Juventude do BRICS começa em Beijing

por Keila Cândido – Agência Xinhua

O Fórum da Juventude do BRICS se iniciou na manhã desta terça-feira com a presença de mais de 60 jovens líderes, políticos e empreendedores e especialistas dos países do BRICS.

No painel de abertura, a vice-presidente da Federação Nacional da Juventude da China, Wang Hongyan, afirmou que é necessário promover um consenso mútuo entre os países, que têm diferenças claras; inovar e promover inteligência e promover o poder dos jovens do BRICS. “Queremos mais canais para facilitar a participação dos jovens”, disse.

Huang Yiyang, conselheiro do Departamento dos Assuntos Econômicos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores da China, disse que o BRICS tem o papel de trabalhar pelo seu desenvolvimento e tentar focar na cooperação de beneficio mútuo, especialmente em um momento em que o mundo enfrenta tantas incertezas, turbulências no mercado financeiro, conflitos geopolíticos e terrorismo.

Depois de dez anos, o BRICS se desenvolveu passando apenas de uma ideia para um mecanismo de fato. “A cooperação do BRICS tem representado uma nova vitalidade para a governança global”, afirmou. “Acreditamos que vamos desempenhar um papel mais importante na governança global e temos coordenar nossas posições e ter certeza de que nossa voz será ouvida.”

O representante brasileiro do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS (NBD), Sergio Suchodolski, disse que dois terços dos empréstimos do banco entre 2017 e 2020 serão direcionados para infraestrutura sustentável.

Suchodolski afirmou que o banco foi fundado pelo BRICS, mas será aberto para outros países e que o processo de aplicação já está sendo feito. O NBD foi criado para impulsionar projetos de desenvolvimento sustentável e infraestrutura. “O total de US$ 450 milhões será destinado a projetos considerados “verdes” e que atendem aos padrões internacionais. ”

Cinturão e Rota

Em um painel sobre a Iniciativa do Cinturão e Rota, Wu Zhicheng, da Escola de Governo Zhou Enlai, da Universidade Nankai, afirmou que a iniciativa pertence ao mundo em geral, incluindo o BRICS, e desde que o presidente Xi Jinping propôs a iniciativa, a China tem promovido a ideia como uma proposta global, que inclui infraestrutura, economia, finanças e trocas entre pessoas.

De acordo com Wu, a Iniciativa do Cinturão e Rota é altamente consistente com o BRICS porque foca em um consenso de desenvolvimento conjunto e o espírito de ganho mútuo. Ele disse ainda que a África do Sul e o Brasil não fazem parte da Rota da Seda, mas podem compartilhar os dividendos da iniciativa, pois essa iniciativa também vai beneficiar a África e a América Latina.

“Todos os países do BRICS podem cooperar com a Iniciativa do Cinturão e Rota”, disse. “A iniciativa não apenas aprofunda os laços entre os países, mas também aumenta o peso dos países no cenário internacional.”

Ainda sobre o peso que o BRICS pode ter no cenário mundial, o professor de Direito Evandro Menezes de Carvalho, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, lembrou que o BRICS tem que manter sua agenda de reforma, ou então não terá mais razão de existir e que a proposta do BRICS Plus (que incluiria Paquistão, México e Sri Lanka) é bem-vinda, mas é necessário pensar em como vai agregar ou afetar o princípio pelo qual o grupo foi criado.

Carvalho alertou ainda para a necessidade de dar condições para que as instituições de pesquisa dos países se desenvolvam e afirmou que as trocas entre pessoas é o pilar do BRICS.

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