Greta Garbo à chinesa

Pouca gente sabe quem é Ruan Lingyu (院玲玉), considerada uma das maiores atrizes chinesas, ainda que tenha atuado por cerca de apenas 10 anos, em filmes mudos dos anos 1920 e 30. Eu integrava a turma dos ignorantes a respeito de. Conheci a moça no painel Comparando o Campo de Atuação, Filmes Asiáticos e o Ocidente, com o crítico de cinema e diretor escocês Mark Cousins, que ocorreu na Bookworm, o melhor lugar pra estar antenado aqui em Beijing – na minha modesta opinião, claro.

Lingyu nasceu em Shanghai em 1910. Foi ali que morreu, aos 25 anos, após uma ingestão exagerada de remédios para dormir. O suicídio teria ocorrido porque, além de ter uma vida amorosa conturbada, ela seria vítima das fofocas da mídia da época. Não que as pessoas se matem hoje em dia por causa disso, mas bisbilhotar a vida das celebridades ainda ocorre. Canseira.

Lingyu era a queridinha do cinema na China – e como Cousins disse, nos anos 30, Shanghai e Tokyo viviam épocas de ouro. O cortejo da atriz, dizem os registros, reuniu milhares de pessoas. Três garotas teriam também cometido suicídio durante o funeral. O jornal New York Times deu na capa a história, dizendo que era o maior cortejo do século.

Até hoje Lingyu é lembrada por quem entende de cinema – em Shanghai, um monumento homenageia a atriz, já que a lápide em si foi destruída durante a Revolução Cultural. Ela é considerada uma lenda, um patrimônio da cultura shanghainense.

Goddess (神女), de 1934, é considerada uma das melhores atuações da chinesa de origem cantonesa.

Cousins compara Lingyu a Greta Garbo e se pergunta por que o Ocidente não conhece a mocinha dos olhos puxados. Sabem, mesmo aqui se conhece pouco da história do cinema. Em qualquer loja de DVD ou camelô de rua, se encontra uma gama sem fim de últimos lançamentos nacionais e do mercado internacional. Agora, filmes mais antigos, prata da casa, quase nada.

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