Livro revela arqueologia urbana chinesa

拆 [chai] é poesia visual impressa em uma publicação limitada e luxuosa da artista Letícia Lampert contando sua passagem pela China, entre o finalzinho de 2015 e o começo de 2016. Uma arqueologia urbana, como ela define, que registra as sensações da artista principalmente em Shanghai, onde morou.

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拆 [chai], que lê-se tchái, é o caractere chinês que remete à demolição e marca as paredes dos prédios e casas que logo deixarão de existir para dar lugar a novos empreendimentos imobiliários – traço da China contemporânea que tem em Shanghai, ou Xangai, em bom português, um dos exemplos mais icônicos. Letícia esquadrinhou a cidade. Neste tempo, morou no Bund, a faixa charmosa à beira do Rio Huangpu com seu estilo neoclássico, por vezes neovitoriano, que solidifica a presença estrangeira no então entreposto comercial do início do século passado. Na margem oposta, a imagem era a dos arranha-céus xangaineses, construídos justamente depois de uma repetição exaustiva de 拆 nas paredes das antigas moradias e fábricas que a artista não chegou a testemunhar.

O lançamento é neste sábado, dia 27, em São Paulo, no estande da livraria Madalena na SP-Arte/Foto. A feira acontece no Shopping JK (Avenida Juscelino Kubitschek, 2041, Itaim Bibi). São só 200 exemplares, uma edição para colecionadores (aliás, há pré-venda no site, clicando aqui).

Mais sobre a artista

Com formação em Design, Artes e mestrado em Poéticas Visuais, Letícia Lampert vem desenvolvendo sua produção autoral principalmente através da fotografia. Já teve seu trabalho reconhecido em prêmios importantes como o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, na categoria Trabalhos de Inovação e Experimentação, e o III Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea, ambos em 2013. Em 2009 recebeu o Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, na categoria Fotografia, pelo projeto Escala de Cor das Coisas, que foi também contemplado com patrocínio do Fumproarte para sua publicação como livro. Dentre as mostras seletivas que participou destacam-se o Salão do Jovem Artista, em 2006 e 2008, Salão Paulista de Arte Contemporânea 2008 e Salão Unama de Pequenos Formatos, em 2012, onde recebeu prêmio aquisitivo e a mostra do Prêmio Diário Contemporâneo, em 2014. Em 2008 realizou sua primeira exposição individual, em Porto Alegre, onde apresentou o projeto (des)construções, seguida de Escala de Cor das Coisas, em 2009, Nalgum lugar entre lá e aqui, em 2012 e Conhecidos de Vista, em 2013. Em 2015 foi selecionada pelo The Swatch Art Peace Hotel para uma residência de 6 meses em Xangai.

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